Neste 25 de Abril de 2013, onde a Revolução madura faz 39 anos, o Bloco de Esquerda saúda todos aqueles que estiveram envolvidos nesse movimento que, em 1974, pôs fim a uma ditadura que persistia desde há 40 anos, apesar de tudo e contra todos. Apesar da expansão democrática do pós-II Guerra Mundial; apesar das mudanças sociais operadas a partir dos anos 60, flagrantes no Maio de 68; apesar do esgotamento do país numa guerra sem fim e fora da evolução do mundo. Contra as aspirações de liberdade; contra uma economia menos desigual; contra a vontade de acesso ao desenvolvimento económico e social equilibrado.
O Bloco de Esquerda saúda os presentes e ausentes que todos os dias, apesar das adversidades crescentes, continuam a lutar por manter acesa a chama brilhante desse cravo, dessa promessa de desenvolvimento material e espiritual de um povo. A democracia foi, sem dúvida, o maior feito de Abril, dando a liberdade dos portugueses escolherem os seus representantes políticos, de serem cidadãos ativos e participantes nos seus próprios destinos. A ideia dos homens salvadores que estão acima do povo e acima da vontade geral dos cidadãos morreu nesse dia perfeito, e nas nossas mãos foi-nos entregue as chaves da casa da democracia. A nossa casa, a casa de todos nós.
Neste 25 de Abril de 2013, onde a Revolução madura faz 39 anos, o Bloco de Esquerda vem lembrar que a democracia não é só o voto que de tempos a tempos é depositado numa urna. A possibilidade de elegermos os nossos representantes é apenas o primeiro passo de uma sociedade verdadeiramente democrática, outros foram dados e outros ainda compete a nós darmos.
Não há democracia sem a diminuição das desigualdades sociais, porque quem passa fome não é um cidadão de pleno direito. Por isso se ergueu o sistema de ensino público, o sistema nacional de saúde, a segurança social, o subsídio de desemprego e outros apoios sociais fundamentais para acabar com as desigualdades sociais profundas. Será que exageramos e temos Estado a mais?... Não! Apesar de que uns tontos de serviço possam dizer, Portugal continua a ser o país mais desigual da União Europeia. Precisamos de mais Estado Social, não de mais cortes e limitações.
Não há democracia sem políticas de gestão ambiental, de habitação, de planeamento urbano, de reparação das assimetrias regionais, porque uns são mais cidadãos porque têm saúde, ambiente, vias de comunicação, escolas, habitação e outros são cidadãos de segunda porque tudo lhes é mais difícil, até para aceder a água canalizada ou luz eléctrica, ainda mesmo neste século XXI. A esses os tontos de serviço mandam emigrar, porque, apesar de eleitos, dizem não poder governar em nosso nome, dizem nada poder fazer quanto ao desemprego e à miséria que se instala pelo país.
Não há democracia quando o Estado não governa em nome das pessoas mas sim em nome de algumas pessoas com importância financeira. “O Estado do povo e para o povo” é transparente e honesto e não esconde as suas intenções dos nossos olhos. A democracia verdadeira do século XXI é o governo sujeitar-se à vigilância permanente dos cidadãos, à prestação de contas sem artifícios. O exercício democrático é de humildade profunda e não da soberba de quem acha até que a Constituição da República Portuguesa é um papel com uns rabiscos infantis.
Os portugueses descansaram com a democracia, com os direitos justamente adquiridos, mas, neste seu sono democrático, foram surpreendidos pelos tolos serviço, que esperaram na sombra, como abutres, para o momento derradeiro de destruir o Estado Democrático, o Estado Social, o Estado Cultural que foi construído ao longo destas três décadas. Fazem-no em nome de interesses assumidos, os credores sem rosto que se escondem atrás das instituições financeiras. Instituições causadoras da crise que são regadas com o dinheiro dos contribuintes; instituições onde os dois principais partidos políticos portugueses têm ninho e altos representantes.
Dizem-nos que é a economia, mas os tolos não sabem que a economia não é algo que se possa definir a partir de uma máquina de calcular, é antes de mais a ciência que compreende o Homem nas suas necessidades materiais e culturais, as aspirações que fazem mover o mundo e que a pobre máquina de calcular não consegue decifrar. Por isso a democracia não pode ser entregue aos tecnocratas, àqueles que não têm uma visão da sociedade para além dos números e das suas especialidades, àqueles que nada podem acrescentar à condição humana.
A democracia deve ser feita por políticos, pessoas que sirvam os cidadãos que neles votaram, mas mais ainda, agentes de progresso e inovação que propõem à sociedade a esperança, o arrojo, a melhoria efectiva da vida quotidiana. A cidadania é o princípio e o fim da actividade do político honesto e ético, aquele que vai ao encontro das pretensões sociais, que procura criar uma sociedade mais equilibrada e, portanto, mais justa e feliz. Quanto vale numericamente, na dita máquina de calcular, a felicidade? Zero. Simplesmente, zero. Mas se nós, como eleitos, representantes das aspirações populares, não conseguimos encarar os nossos concidadãos de frente como pessoas com rosto, então que mundo de vergonha e de falta de respeito estaremos a construir? Um mundo para seres humanos, ou um mundo para consumidores e produtores, onde a única relação possível é a da troca monetária: nota por nota, moeda por moeda?
Neste 25 de Abril de 2013, onde a Revolução madura faz 39 anos, o Bloco de Esquerda diz a Lagos que a casa da democracia pertence a todos nós. Uma pertença por direito e por dever, que faz de todos nós proprietários e inquilinos desse edifício. A democracia de Abril é nossa, e por nós, senhorios, deve ser reparada, arranjada, melhorada; e por nós, inquilinos, deve ser respeitada e amada, usufruída para o nosso bem-estar.
Neste 25 de Abril de 2013, onde a Revolução madura faz 39 anos, o Bloco de Esquerda apresenta-se ao povo português e, aqui, aos lacobrigenses, como uma força política que não abdicará das ideias de Abril, da necessidade de livrar a democracia portuguesa daqueles que, hoje, parecem querer derrubar tão ilustre construção. Portugal não tem educação a mais, Portugal não tem saúde a mais, Portugal não tem solidariedade a mais… Portugal apenas tem alguns partidos e políticos que não dignificam a cidadania plena, que operam contra a vontade dos eleitores, que desmerecem deste povo maravilhoso que tanto tem sabido dar do seu suor e coração nos momentos que interessam. Portugal merece mais e melhor!... Lagos merece muito mais e muito melhor!
Viva o 25 de de Abril!... 25 de Abril, sempre!